domingo, 31 de março de 2013

039 - Páscoa 2013 - A aventura continua...




Em primeiro lugar (e mesmo muito atrasado), quero desejar a todos vocês uma boa e Feliz Páscoa cheia de paz, alegria e amor...

Dizer que estou muito atarefado, no meu caso, não passa de um sofisma (eu e as minha palavras difíceis... pode-se traduzir neste caso como uma verdade incompleta, quase irreal, beirando a mentira...)... , pois a coisa está muito acima desse nível...

Para terem uma pequena ideia  hoje – dia da Santa Páscoa - estou trabalhando desde as 5:30 da manhã...

Dei um pequeno intervalo para falar com o meu filho que se mudou esta semana para a Suíça num novo emprego e no meio da conversa o meu único cliente de computação gráfica apareceu me desejando uma feliz Páscoa para mim e minha família e para saber se amanhã nós poderíamos falar de trabalho...

As coisas estão sérias assim...

É claro que tudo isso é inflado pelo meu demasiado preciosismo e um pouco pelas circunstâncias pouco favoráveis dos últimos meses...

Um dos terrenos que estávamos adquirindo acabou dando problemas de documentação e pelo fato de ele ter a metragem que mais nos interessava e uma localização privilegiada – e ser difícil de encontrar outros - acabamos esperando demais que nos obrigou a fazer outra casinha às pressas para não deixar o pessoal parado...

Vocês já me conhecem, eu gosto muito de ter tudo planejado até ao ultimo pormenor e quando as coisas vão para o improviso, eu fico meio desconcertado me culpando da minha falta de análise e de tomada de posição...

O problema é que este grupo de investidores não tinha capital suficiente para investir em mais de um terreno de reserva e por outro lado terrenos bem situados são muitíssimo escassos e caros...

Acabamos investindo num outro menos favorecido, e como a região é majoritariamente de casas, projetei umas casinhas duplex, muito bonitinhas para melhor integração...

Após ter tudo 100% pronto – projeto arquitetônico e executivo – fui só por desencargo na prefeitura fazer uma pré-análise...

Conclusão – deu zebra...

O plano diretor tinha mudado e agora a região só previa projeto multi-familiar...

Legal... Era só deitar todo aquele projeto fora e pegar no outro de edifício que estava pronto, mas (outro “mas” importante, ou neste caso desconcertante... rss...), por razões que só Froid explica resolvi fazer pequenos ajustes finais...

Conclusão (já é a segunda) – tive que refazer tudo de novo e ainda ando às voltas com o projeto executivo de onde saem as quantidades das aquisições assim como as datas prováveis das aquisição...

Neste primeiro edifício está previsto o uso de painéis fotovoltaicos conectados à rede elétrica, que irão fazer andar o relógio ao contrário, de modo a que o condomínio tenha crédito de energia para uso condominial...

Como a região não é agraciada pela companhia de água local – CEDAE – vamos perfurar um poço artesiano para abastecer o condomínio.

Como vamos utilizar a energia por nós produzida de forma “gratuita”, a água condominial não gerará qualquer taxa ou valor...

Os PVs (painéis fotovoltaicos) usados foram calculados para produzir o suficiente para alimentar a bomba de água e as lâmpadas led que encontrei na net a preço acessível e uma eficiência muito boa...

Então a luz do condomínio também vai será gratuita...

Como este tipo de empreendimento, não comporta porteiros a taxa condominial será 

zero 
ou muito perto disso... 

Esta é a nossa premissa...

Como ainda não temos números fidedignos, vamos deixar o edifício preparado para poder receber futuramente os coletores termo-solares, deixando ao critério de cada um a sua futura instalação. 

Se a caixa tiver uma linha de crédito para este tipo de equipamento também seria uma excelente alternativa...

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Paralelamente a tudo isto, eis que um projeto que estava totalmente adormecido deu uma pequena despertada...

              Eu explico...

Quando consideramos que o processo construtivo já estava amadurecido o suficiente, comecei a procurar outras soluções mais rentáveis, já que naquele condomínio os preços dos terrenos já estavam acima do plausível...

Para quem não é do ramo eu esclareço...

A cota de terreno deve oscilar entre 8 e 12% quando se trata de casinhas populares, acima desses valores o parco lucro se esfuma, pois fica no terreno...

Este é nosso caso, pois estamos com uma cota de terreno de quase 25%...

Como a intenção era testar o método construtivo sem perder dinheiro, funcionou muito bem, mas agora as coisas têm que começar a dar lucro decente...

Não dá para se construir verde e ficar vermelho de raiva da falta de lucro...

Voltando...

Na ocasião surgiu a hipótese de se negociar um condomínio inteiro, que jazia abandonado após seu lançamento em conjunto com outra pessoa.

É claro que nessa altura viajei totalmente pela maionese...

Embora se tratando de um condomínio de casas, dava se aplicar muitos dos princípios que desejo testar...

Mesmo parecendo por vezes totalmente ridículo, sempre falo da nossa cidade verde e nesta caminhada na tentativa de torná-la um pouco real...

Por razões que desconheço as pessoas não me consideram totalmente maluco e muitas até se interessam bastante...

Foi o caso da pessoa que estava negociando conosco...

Acabou “comprando” quase todas as idéias e como tem deficiências na parte de engenharia acabou propondo-me sociedade na construção das suas casinhas...

Disse-lhe que estaria interessado sim, desde que os moldes do condomínio fossem dentro daquilo que havíamos falado...

Por várias razões acabamos não conseguimos fechar o negócio com o dono do empreendimento, mas esse outro empresário foi um pouco mais adiante e fechou-o.

Ele estava em fase de venda das casas e de capitalização, mas dependia de algumas obras de responsabilidade do dono do empreendimento para efetivá-las...

Resumindo, o que estava previsto para fevereiro, passou neste momento para julho...

Mas surgiu um outro investidor e rematou vários lotes o que vai possibilitar a construção da portaria e dar uma nova cara ao empreendimento....


Será o despertar do sonho para a realidade?...


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Bem, agora só me resta esperar que todos tenham tido uma boa páscoa, pois o tempo já se esvaiu...

Eu continuo firme na minha luta, por vezes me sentindo um pouco cansado, mas nunca desanimado...

A intenção de me conhecer pessoalmente por parte da nossa querida D. Penha, deu origem a uma onda de ciúmes generalizada, como era de se esperar... rss...

É claro que não poderei me encontrar com cada um de vocês, mas pensei em tempo oportuno combinarmos um encontro onde todos os que puderem comparecer possam verificar estas experiências sustentáveis já em funcionamento assim como constatar a parte prática da mesma...

Assim que puder – isso é que está difícil – mostrarei todo o processo construtivo assim como os números deste tipo de negócio, onde estou tentando verificar se a sustentabilidade é economicamente sustentável... rss...


Sejam felizes...


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

038- Feliz Natal...




Hoje é Natal... 

           E este é o presente que eu estou me dando a mim mesmo...

Voltar a escrever no nosso blog...

Faz já alguns meses que eu não paro, a não ser por exaustão...

Muito embora o trabalho seja altamente gratificante, é muito pesado, pelo menos da forma que o estou encarando...

Vou tentar fazer um resumo do ano que está acabando...



A primeira casa foi de puro aprendizado...

Novos materiais, novas argamassas, novas formas de trabalhar isto mesclado com a execução de vários moldes...

Era tudo novidade e tudo necessitava de ser experimentado e analisado e é claro algumas coisas não funcionaram como o previsto, levando a atrasos e recuos que veio a traduzir-se numa obra dispendiosa e de reduzidos lucros, mas alguns princípios foram aprovados com muito sucesso...

Estávamos só esquentando os tamborins...

A casa ficou um charme e comprovou que o design escolhido era um sucesso...

Ela se destacou de todas as outras  do condomínio, pela sua beleza e encanto, atraindo a atenção de todos os potenciais compradores...

No entanto, necessitava de uma suíte para competir de igual para igual com as casas do mesmo valor...

O principio deste tipo de construção era arranjar um padrão muito bem estudado e elaborado, para que com a repetição, os custos de projeto e pesquisa fossem diluídos...

Mas logo tropecei numa alteração ao projeto e muito significativa e tive que refazer todo o projeto de novo...

Para quem não é do ramo eu explico...

Existe o projeto arquitetônico, aquele que todo o mundo conhece, com planta baixa (a casa vista de cima sem telhado), alçados (vistas laterais), fachada (exterior da parte da frente da casa), cortes (para se mostrar em especial as alturas) e a planta de situação (onde se mostra os confrontos do lote, a rua onde se localiza e os recuos frontais e laterais da habitação assim como se comportam as águas do telhado)...


Esse projeto é que vai para as prefeituras para ser analisado e aprovado de acordo com as normas vigentes naquele município...

Sim, temos esse pormenor... 
                                         Cada município tem as suas regras e algumas delas bem diferentes...

Antes de se projetar, é necessário ter conhecimento de todas essas regras e se possível da forma como os fiscais as interpretam, já que algumas são um pouco flexíveis e outras simplesmente inexistem no código...

No caso de edifícios ou de casas de vários pisos, torna-se necessário fazer o cálculo estrutural, para se determinar o melhor lugar das colunas e vigas assim como o seu dimensionamento (medidas e quantidade e medidas do ferro).



Após aprovação do projeto e de termos em mãos o projeto de calculo estrutural, os profissionais do ramo executam o chamado projeto executivo...

Neste projeto é onde são definidos todos os parâmetros reais a serem executados...

Existem vários níveis de projeto executivo e estes variam com a quantidade de pormenores que nele são especificados...

Em projetos grandes e complexos, isso pode dar origem a centenas de desenhos em 2 e 3D, a fim de mostrar em pormenor a devida execução da obra...

Atualmente tudo isso é feito em computador...

No meu caso, eu ainda dou mais um passo... Além de ir ao limite do executivo em 2D ainda o transformo em 3D, e construo a casa desde o alicerce, depois faço a alvenaria bloco por bloco, coloco todas as caixinhas elétricas e conduítes (eletro dutos flexíveis), toda canalização incluindo todos os acessórios usados, portas, janelas e outras aberturas, laje, estrutura de telhado e telhas...

Daí eu extraio as quantidades de materiais para fazer as encomendas...


No meu projeto, não se cortam blocos nem telhas e tudo é pensado ao pormenor para gerar o mínimo de desperdício, sempre tendo em vista a rapidez de execução e o aproveitamento dos materiais...

As madeiras sofrem uma atenção especial a fim de gerarem o menor desperdício possível, haja em vista que o mercado só fornece de meio em meio metro...

Mesmo para uma pequena casa é um trabalho colossal e necessita de ser refeito sempre que existam alterações significativas.

Como aconteceu na segunda casa quando resolvemos colocar uma suíte...

Foi aqui que o meu tempo começou a ficar escasso...

Eu estava prevendo que descansadamente me dedicaria a estudar e aperfeiçoar todo o processo construtivo, e me vejo desesperado refazendo todo o projeto executivo...

A primeira casa demorou três meses a ser feita, isto com um oficial e um ajudante, por vezes dois...

Para a quantidade de pessoas envolvidas foi muito bom, mas eu queria melhor...

Quando chegamos à conclusão que a suíte deveria fazer parte do nosso projeto, já estávamos no finalzinho da casa e eu fiquei quase sem tempo para reformular todo o projeto...

Além de ter que ir todos os dias à obra, adquirir os pequenos materiais que sempre faltam, contratar mão de obra específica para determinados trabalhos (marcenaria, telhado, pintura), encontrar fornecedores locais, verificar preços, qualidade e condições, ainda tinha que vir correndo para executar as modificações ao projeto, ou melhor dizendo, efetuar um novo projeto...

 Houve dias que me levantava à 3:00h da madrugada, trabalhava até à seis, ia na obra onde ficava até às 10:00h, voltava correndo, comia e tirava um cochilo e entrava no segundo turno até às 20:30, onde a exaustão chegava... 

Aí sentava no sofá, fingia que via alguma coisa na TV e simplesmente “desmaiava”...


Eu nunca disse que ia ser fácil... rss...

No final de Março compramos novo lote e 23 de abril iniciamos oficialmente a segunda casa.

Mais um oficial foi contratado e para levantar o astral prometi um bom prêmio se a construção se concluísse em um mês e metade do prêmio se ela finalizasse em mês e meio...

Não estou falando de chaves na mão, mas em obra pronta para se poder solicitar o habite-se e  repassá-la para os outros protagonistas – mão de obra terceirizada (telhado, portas e pintura).

Dessa forma a equipe estaria disponível para encarar nova obra.


O projeto já foi elaborado de forma a contemplar uma forma de execução rápida, onde grandes paredes são executadas inicialmente e depois rapidamente se fecha o restante...

O ritmo foi realmente muito bom embora um dos oficiais nos abandonasse durante duas semanas para efetuar uma deslocação ao exterior...

Mesmo assim, em 15 de junho a obra estava no ponto desejado... 53 dias depois...


Considerei um grande sucesso...

Nesse entretanto, um velho amigo meu tinha-me visitado... Foi ele que efetuou as vendas das primeiras casas que fiz há alguns anos atrás e sempre que falávamos me pedia para voltar para a construção civil...

Ele ficou encantado com tanta novidade e disse-me que estava com um dinheiro sobrante e que gostaria de investir comigo...


Isso era muito bom, porque infelizmente não é só construir, ainda surge todo o aspecto burocrático que é caro, difícil, penoso e demorado, e enquanto os primeiros investidores aguardavam que o seu capital retornasse, poderia estar construindo para o segundo investidor...

Tinham surgido dois lotes juntos, bem localizados e murados, que mesmo sendo um pouco acima do preço desejado, ainda deixava uma margem suficiente para rentabilizar o capital...

Mas... Sempre tem um ‘mas” ( rss...) atrapalhando tudo... 

Eu meti na minha cabeça que o projeto apresentava medidas um pouco avantajadas demais e que eu poderia e deveria dar um jeitinho...

E que jeitinho!... 

Tive que refazer novamente todo o projeto... E como se isso não bastasse...

Resolvi testar um novo bloco... O bloco tradicional de concreto...

O bloco que desenvolvi estava apresentando uma dificuldade...

Ele não estava resolvendo o principal problema para o qual tinha sido criado...

Muito embora o processo de fabricação seja industrializado e com formas, mesmo assim alguns blocos apresentavam pequenas deformações que levavam a alguns problemas...


Se por um lado o bloco possibilitava uma forma simples e rápida de trabalhar, essas pequenas imperfeições davam origem a alguns problemas sérios de prumo, que os oficias tendiam a menosprezar pela sua inicial insignificância, mas algumas fiadas acima, essas falhas apareciam de forma intolerante...



Por outro lado aquele bloco era bastante caro e havia muito poucas fábricas o que acarretava em deslocações de materiais bastante dispendiosas...

Outro teste se fazia necessário e é claro um inteiro novo projeto teve que ser desenvolvido...

Agora eram dois projetos que teria que desenvolver e rapidamente...

Pelo menos eu estava aprendendo a fazer um projeto executivo de altíssima complexidade rapidamente... Isto é claro à custa de alguns fios de cabelo remanescentes em minha careca, algumas dores de cabeça e de muitas horas roubadas ao sono...


Aquilo que eu menos deveria mexer eu estava mexendo a toda a hora...


Eu sei... Eu tenho problemas...

Em 2 de Julho de 2012 iniciamos oficialmente essas duas novas casas...

A construção correu bastante bem e conseguimos concluí-las em 88 dias...

Deu para ver que quando temos a possibilidade de saltar de uma obra para outra, se aproveita melhor a mão de obra...

Durante maior parte do tempo trabalhamos com dois oficiais e o tempo conseguido foi excelente...

O novo bloco se adaptou razoavelmente bem ao nosso método construtivo, mas ainda é um trabalho em progresso...

Creio termos encontrado um bom balanceamento entre tempo, custo e mão de obra e novos horizontes se vislumbraram...

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Um bom gestor não trabalha no presente...


                                                






Mas no futuro...




Aliás, a grande diferença entre o gestor, o encarregado e o trabalhador em si, está na quarta dimensão de Einstein – 







o tempo...

O gestor - meu caso - trabalha principalmente no futuro a médio e longo prazo...



O encarregado no futuro a curto prazo e o trabalhador no presente...

 Eu explico melhor...

Um bom gestor está sempre trabalhando no futuro a médio e longo prazo da empresa...

Com base no histórico e experiência da empresa, ele é o responsável por definir qual ou quais os novos passos  a serem dados...

Não só definir sua direção, mas também preparar todo o terreno para tornar tal possível...

Vou dar um exemplo real...

Naquela altura eu já estava vendo e negociando novos terrenos, já estava elaborando novos projetos, vendo sua viabilidade:  quer de execução, quer financeira.

Contatando os fornecedores - habituais e novos - com novas propostas e tentando arranjar novas formas de negociação...

Vendo, analisando, cotando e decidindo novos materiais para satisfazer os novos projetos...

Vejam como um pequeno problema se transforma em algo grandioso:


Telhado

Que telhas usar?

Telhado embutido ou aparente?

Quais as vantagens e desvantagens de cada um?

Se embutido quais os tipos de telhas a usar?

Seu tamanho?

Sua espessura?

Seu custo?

Os fornecedores venderão para pessoa física?...

Será melhor constituir empresa?... 

Não é cedo demais?... 

Ela vai acarretar uma despesa fixa mensal muito grande?... 

Talvez uma SPE (sociedade de propósito específico), será?...

Tenho que ver isso junto do contador...

Telhas ecológicas? 

São boas? 

Quais os matérias primas existentes? 

São ecológicas mesmo? 

Quais são os fornecedores, quais as suas diferenças? 

Espessuras, materiais, tamanhos, preços?

Ainda falta o transporte já que todos são fora do Estado do Rio... 

Não fica caro demais?

Têm representantes?

E que tipo de estrutura é necessária?

Vai gerar muito desperdício? 

Tem garantia?

E são termicamente boas e o seu comportamento acústico?...

E qual a inclinação que suportam?...

Forma de pagamento?...

Seu peso?

Quantas devo encomendar a mais, para considerar as perdas do transporte e da execução?...


Valerá mesmo a pena?...

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Todas estas perguntas têm que ser respondidas para cada tipo de telha existente no mercado para depois se efetuar a encomenda e rezar para que tudo dê certo...

O gestor tem que apoiar todas as suas decisões em dados concretos para que depois os possa passar para os investidores quando confrontado...








É claro que esse confronto se dá no caso de 


dar zebra...


E muitas vezes dá mesmo...





Repararam que só estávamos falando do telhado?...

Para cada tipo de material novo todo o processo se repete e tratando-se de materiais não tradicionais a coisa se multiplica várias vezes...

Mais à frente vocês entenderão do que eu estou falando...

Eu tenho uma boa surpresa para vocês...

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Um bom gestor pode se ausentar da empresa sem que ela sofra qualquer alteração, já que ele não trabalha no presente, nem no curto prazo...

Aliás, é um bom teste para se saber como vai a gestão é ver o comportamento da empresa quando o gestor vai de férias...

Se ninguém notar é porque ele está fazendo um bom trabalho... rss...


Já o encarregado trabalha no futuro a curto prazo:

Que fase da obra estaremos na próxima semana?... Os materiais já chegaram?... Se não chegaram quando vão chegar e aonde vão ser colocados?...

Vamos necessitar de alguma ferramenta especial?

Alugar algum equipamento?...

O pessoal terceirizado quando vai assumir?... Está tudo pronto para eles?...

A laje vai ficar pronta daqui a um mês temos que encomendar já o concreto e lhes dar uma data...

Houve alterações ao projeto e alguns materiais vão ter quer ser adquiridos...

Vou pedir prego à loja que ele vai acabar, se eles não entregarem a tempo tenho que passar lá e pegá-los...

O piso era para chegar hoje e ainda não veio – tenho que ligar para ver o que se passa...

Chegou o material, tenho que conferir para ver se está tudo ok, senão depois teremos problemas...

Tenho uma solução melhor do que prevista no projeto, tenho que consultar o projetista para ver se ele aprova a minha proposta e a prever da próxima vez...

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Tudo isto para que o trabalhador possa desenvolver da melhor forma o seu trabalho do dia...

Para que não haja nada para atrapalhar e um clima de calma e harmonia esteja presente como que por milagre... 

Um milagre construído com muito trabalho e esforço...

Já que quem realmente executa o trabalho é ele – 

o simples trabalhador...


Ele é que é a pedra chave e fundamental de todo o processo...


É ele que vai efetivamente colocar ali aquele bloco que ficará por várias dezenas ou até centenas de anos e que servirá de abrigo a várias famílias, que será talvez o maior investimento delas em suas vidas...

Essa é importância de seu trabalho, que maior parte de nós se recusa a ver e o acaba relevando, chegando ao ponto de quase o considerar como um excluído da nossa sociedade...

Felizmente que atualmente esse quadro se está revertendo e essa classe trabalhadora está ganhando o suficiente para se integrar com dignidade na sociedade...

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Voltando...

Nessa altura – julho / agosto 2012 – paralelamente com o final dos novos projetos, eu já estava vendo qual o nosso próximo passo...


Uma grande decisão teria que ser tomada...


A fase experimental teria que dar l
ugar a uma fase de lucros mesuráveis...

Como experiência tudo o que tínhamos feito era muito válido, mas os lucros eram parcos, pois estávamos comprando lotes muito caros e a cota de terreno era elevada demais...

Neste tipo de investimento e faixa de mercado, essas coisas acabam tendo um peso muito grande e temos que estar sempre atentos a todos os pormenores...

Tinha que reduzir drasticamente a cota de terreno para valores plausíveis...

Na construção da casas ou apartamentos populares as cotas de terreno têm que situar entre 8 e 10%... 
Podendo-se tolerar os 12% em casos excepcionais... 

Tudo o que for maior que isso, estará interferindo em demasia nos lucros...




Após passar alguns meses em idas e vindas em vários tipos de negócios, com o mesmo número de projetos de viabilidade, chegamos finalmente a uma conclusão: 









Vamos nos dedicar agora a fazer pequenos edifícios de até três pisos...









Mas também chegamos à conclusão que teríamos de rever o processo de legalização, pois de nada adianta construirmos rápido e depois termos que aguardar quase sete meses pela legalização...

Um dos investidores garantiu que no seu município conseguirá resolver toda a parte burocrática em muito pouco tempo e conseguimos encontrar dois terrenos para iniciarmos essa nova fase...

Num iremos fazer quatro ou oito apartamentos em um ou dois pisos e no outro oito apartamentos em dois pisos, mas agora é que vem a parte mais interessante, a tal surpresa que eu lhes havia falado:

O projeto já vai incorporar muitas vertentes sustentáveis, apesar de ser de baixa renda...





Maior parte da água usada será de poço e de chuva (no caso de 8 pisos), e somente 5 a 10% do montante geral será de água da CEDAE (companhia de águas).





Os apartamentos também contarão com aquecimento individual solar de água...




A iluminação comum será efetuada com o auxílio de lâmpadas led cuja duração prevista pela fábrica é de 50mil horas (estimando que algumas delas só se usem 3 horas por dia a sua durabilidade será de aproximadamente de 45 anos).


Serão instalados 2 painéis fotovoltaicos que produzirão eletricidade e estarão conectados à rede.

A energia produzida por tais painéis deve contrapor o consumo das áreas e equipamentos comuns (bombas e iluminação) e quiçá gere até um superávit...









Dessa forma a taxa condominial será muito perto de zero, já que não haverá nem porteiros nem elevadores...








O condomínio também será entregue com o quintal plantado com uma horta e algumas árvores de frutos...

Composteiras domésticas individuais por apartamento ficarão nos fundos do quintal, transformando 65% do lixo (o orgânico) em adubo de alta qualidade...



O esgoto será tratado através de fossa e filtro anaeróbio, mas esperamos no futuro virmos a implantar biodigestores ou algum outro tratamento de esgoto que aproveite o mesmo para uso na agricultura.

O executivo é bem complexo já que em cada banheiro irão tramitar quatro tipos de água diferente: do poço,  fria para o chuveiro: do poço aquecida pelos painéis solares; da chuva para a descarga e da Cedae (companhia de águas) para o lavatório... Mas isso eu tiro de letra... 

Especialmente com a prática que atualmente já tenho... rss...

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Estas são as grandes novidades que vos trago... 

Estamos concluindo a quinta casa que novamente foi diferente em alguns aspetos das outras já que o terreno era em declive... rss...






Eu continuo seguindo o meu caminho, que sei não ser fácil, mas com um passo de cada vez eu com certeza chego lá...











Lá aonde?... 

Eu também não sei... 

Até onde der, mas sei que o meu caminho é por aí mesmo...





A única mágoa que realmente carrego, é de não conseguir manter o nosso blog atualizado, mas um dia eu também aí chegarei...


Abraços e beijos para todo o mundo...

E até quando der...

Muitas, muitas saudades mesmo...


Filipe Melo

domingo, 6 de maio de 2012

037 - Todo enrolado

Minhas queridas leitoras (es):

Esta coisa do real, é bem diferente do virtual...

Felizmente está tudo correndo dentro do esperado, nada de ruim aconteceu, a não ser a falta desesperada de tempo...

A primeira casa, que seria para provar o conceito, ficou pronta em dois meses e meio e ficou muito bonitinha (estou aguardando a finalização da pintura -empreitada à parte- para tirar as fotos oficiais... rss...).

Agora que o conceito foi provado, estamos na segunda fase - TEMPO.

A primeira foi construída só com um oficial e maior parte das vezes com apenas um ajudante... Dois meses e meio para tão poucas pessoas foi bom demais, mas nós queremos UM Mês...

Admiti mais um oficial e estou verificando se conseguiremos o prazo estipulado... Já concluímos o alicerce e marcamos a obra...

Acontece que isso exige muito de mim... O projeto sofreu alterações e tive de o rever totalmente e as coisas neste ritmo acontecem muito rapidamente... Os materiais, o projeto, as ferramentas experimentais, os gabaritos e os inesperados, se amontoam e tenho que dar as devidas soluções para não interferir no ritmo da obra... 

Vocês têm razão ao me chamar atenção sobre a minha qualidade de vida nesta fase, mas não tem outro jeito...

Eu sou assim, muito focado e coloco todas as minhas forças à disposição dos meus objetivos...

Para mim levantar às 5:00 da madrugada não tem qualquer problema, milhões de pessoas o fazem e não tem nada de extraordinário nisso, só não consigo me manter acordado quando sento para relaxar um pouco... rss...

Mas não se preocupem, está sendo extraordinariamente prazeroso...

A única mágoa que realmente carrego, é não conseguir tempo para vos escrever... Mas em breve tudo se resolverá com certeza...

Milhões de abraços e beijos para todos e até breve...


Mil desculpas, Filipe Melo




sábado, 24 de março de 2012

036 - 2a. Parte - Construindo uma cidade - Segundo dia


Segundo dia...

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Combinamos não chegar cedo demais, pois nada haveria para fazer, mesmo assim às 7:30h da manhã já estávamos no terreno...


O dia estava lindo, o sol se exibia em todo o seu esplendor e a temperatura logo começou a se elevar...

Felizmente aquela pequena árvore nos deu certo abrigo enquanto falávamos sobre as expectativas da obra...

Embora estas fossem imensas, por volta das nove horas da manhã o assunto estava esgotado e a ansiedade que as madeiras ou o tratorista chegassem começou a tomar conta de nós...

O telefone toca...

              Era Marcela da madeireira...

Se calhar necessitava de mais informações sobre o local de descarga...

                           Aqui é um pouco complicado de se chegar...

Depois de nos cumprimentarmos a notícia surgiu:

- Não iam poder fazer a entrega porque o caminhão não tinha conseguido efetuar todas as entregas do dia anterior e como tal, só segunda-feira a nossa mercadoria poderia ser entregue...


Meu Deus que catástrofe...

O material estava chegando e eu não tinha onde guardá-lo...

O universo estava conspirando contra mim... 

Ou será que alguém andou fazendo alguma macumbinha?... 

Neste Brasil há que pensar em todas as possibilidades...

Depois de tomar dois copos de água bem gelada para acalmar os ânimos, resolvi começarmos a furar as placas de MDF para ocupar um pouco a mente e escoar as tensões...

Até a máquina de furar estava contra nós e declarou-se arruinada após os primeiros furos...


Se carma existe, eu devo ter sido uma peste na minha vida anterior...


Tudo isso e o admirável sol, é claro, 
tinha aumentado em muito a minha temperatura e suava em bica...


A fim de evitar o ataque cardíaco eminente, resolvi ir ver se o tratorista tinha dado as caras...

Um pouco do ar condicionado do carro com certeza me faria bem...

Enquanto o encarregado José, arrumava as ferramentas e a decrépita furadeira, dirigi-me até ao carro...


Outra agradável surpresa... 


Não consegui entrar tal o calor que dele imanava...

A muito custo liguei o motor e o ar condicionado e aguardei do lado de fora que a temperatura daquele forno atingisse valores suportáveis...

Bem... Uma coisa pelo menos positiva aconteceu... 


O calor do dia estava tão elevado que a água do suor rapidamente se dissipou e deu lugar a uma sede angustiante...

Aquele lugar selvagem estava-me afetando...

Isto eu não tinha previsto isto em todos aqueles cenários no computador...


E a estória do sapo do filme “Uma verdade inconveniente” do Al Gore, não me saía da cabeça...

Para quem já não lembra, eu conto de novo:
Se colocarmos um sapo numa panela com água fria e a aquecermos muito lentamente, o sapo não sai, nem tenta sair e acaba morrendo cozido... Sempre achando que dá para agüentar...


Eu estava-me sentindo aquele próprio sapo... rss...

É claro que nesses momentos de pura reflexão negativa, também me lembrei das milhares de mortes (35 a 50 mil) ocorridas na Europa durante a onda de calor em 2003...

Às vezes a cultura atrapalha...

Voltando...

Quando a temperatura do carro baixou do nível de cozimento, lá fui eu dar uma volta pelo condomínio para ver se o tratorista estava fazendo algum trabalho em algum lugar recôndito, até que cheguei à portaria, onde a máquina retro escavadora jazia impávida e serena alheia a todos os meus sentimentos de raiva...

Já eram dez e meia e o mentiroso do tratorista não tinha aparecido...

Voltei para pegar o José e voltamos para casa... 


Um denso silêncio tomou conta do carro durante todo o caminho...


É claro que a voz da minha mulher teimou em ecoar vezes sem conta em meu toldado cérebro:

- Filipe porque te vais meter de novo em obra?... 

Porque não continuas trabalhando tranquilamente 
em casa e deixa isso para os mais novos?...


Chego em casa e vou descansar...
...


Português sonhador sofre...


Mas quanto maior o sofrimento, maior a glória...

Contando que sobreviva é claro... rss...



Não percam as novas aventuras...

                            O português sonhador sobreviverá?...